Razões para entender o tamanho da derrota de Djokovic na Austrália

Por DANIEL CASTRO

A derrota de Novak Djokovic, 29, para o convidado uzbeque Denis Istomin, 30, na segunda rodada do Aberto da Austrália é um daqueles eventos maiúsculos, que não precisaria de grandes explicações para que iniciados ou não iniciados no tênis entendessem o tamanho do que aconteceu.

Ainda assim, alguns números e informações podem ajudar:

– Foi a segunda derrota do sérvio, atual número 2 do mundo, para um jogador de fora do top 100 nos últimos sete anos —Istomin é  o 117º. A única até então havia sido para o argentino Juan Martín Del Potro, que ocupava o 145º posto quando o derrotou na estreia da Olimpíada do Rio.

– A derrota em Melbourne foi a mais precoce de Djokovic em um Grand Slam desde 2008, quando caiu na mesma fase de Wimbledon diante do russo Marat Safin.

– Desde 2011, o sérvio jamais havia perdido um set na primeira semana do Slam australiano, onde alcançava pelo menos oitavas de final desde 2007.

– Os cinco duelos anteriores entre Djokovic e Istomin marcavam 5 a 0 para o sérvio, com apenas um set vencido pelo uzbeque, que agora tem duas vitórias em 34 jogos contra atletas do top 10.

Novak Djokovic e Denis Istomin  se cumprimentam após o jogo (Mark Baker/Associated Press)
Novak Djokovic e Denis Istomin se cumprimentam após o jogo (Mark Baker/Associated Press)

Além disso, o hexacampeão do Aberto da Austrália perdeu a oportunidade de ultrapassar Roy Emerson como maior vencedor do torneio, pelo menos neste ano. O australiano também possui seis títulos, conquistados antes da era aberta do tênis.

Sobre a partida (7-6(8), 5-7, 2-6, 7-6(5) e 6-4) de 4h48min, ela foi ainda mais intrigante do que a derrota sofrida para o americano Sam Querrey na terceira rodada de Wimbledon no ano passado. Não só pelo fato de o game inicial ter durado incríveis 16 minutos (com seis breaks salvos pelo sérvio antes de fechar), mas porque ele chegou a liderar o jogo por 2 sets a 1 após sair em desvantagem. Seria difícil imaginar que pudesse levar a virada.

Não é possível, porém, tirar os méritos de Istomin —que já foi número 33 do ranking e frequentador regular do top 50—, reconhecidos também por Djokovic: “Todo o crédito para Denis pelo jogo incrível. Ele merecia vencer. Sem dúvida, ele foi um jogador melhor nos momentos cruciais. Ele foi para cima, jogou agressivamente. Sacou muito bem, muito preciso. Não havia muito o que eu pudesse fazer. Claro, eu não fiquei satisfeito com a minha performance, mas tenho de parabenizar meu adversário hoje”, afirmou.

Difícil saber as consequências do revés para a temporada de Djokovic, além de que provavelmente verá a distância para Andy Murray no ranking aumentar bastante. Após um fim de ano ruim em 2016, parecia que o título de Doha conquistado sobre o britânico o reconduziria a dias melhores. No entanto será preciso esperar um pouco mais, provavelmente até o início dos Masters, em março, para descobrir.

A Istomin, que chegou a se desculpar com o público por eliminar um dos queridinhos do torneio, resta desfrutar da glória. Mas por pouco tempo, porque em dois dias ele voltará às quadras para enfrentar o espanhol Pablo Carreño Busta pela terceira rodada.