Federer e Nadal provam que sim, ainda podem ganhar Grand Slam

Por DANIEL CASTRO

O primeiro a ser questionado foi Roger Federer. Sem triunfar em um Grand Slam desde Wimbledon-2012, ele passou a conviver com a incômoda pergunta: ainda conseguirá um título desse porte?

Para Rafael Nadal, a pressão chegou dois anos depois, mas foi ainda mais dura. Após a sua última conquista, em Roland Garros-2014, ele nunca mais havia avançado às semifinais de um major.

Com a definição de que a final do Aberto da Austrália, às 6h30 de domingo (29), será entre os dois, uma coisa é certa: sim, pelo menos um deles ainda é capaz de triunfar em Grand Slam.

Aos 35 anos, o suíço voltou após seis meses em que ficou afastado por lesão no joelho. Derrotou três top 10 (Tomas Berdych, Kei Nishikori e Stan Wawrinka), fez duas partidas de cinco sets e por vezes foi aquele Federer.

No presente, a mente e o corpo são diferentes, mas, para o maior vencedor de Slams em todos os tempos (17), a roupa do passado ainda serve perfeitamente.

As lesões também atrapalharam o espanhol, com quem a chegada aos 30 foi cruel. No ano passado, ele precisou abandonar Roland Garros na terceira rodada, desistiu de Wimbledon e encerrou a temporada mais cedo.

Muitos, incluindo este blogueiro, achavam que seria difícil passar de Alexander Zverev na terceira rodada. Esquecemos que para nenhum tenista a palavra superação cai tão bem quanto para ele. A vitória fácil contra Milos Raonic surpreendeu, e a batalha de quase cinco horas diante de Grigor Dimitrov nesta sexta (27) deve aumentar a sua confiança (leia mais sobre o búlgaro abaixo).

É fato que as quedas precoces de Andy Murray e Novak Djokovic abriram o caminho para Nadal e Federer voltarem a decidir um Slam após quase seis anos. Porém pelo que ambos jogaram durante estas duas semanas em Melbourne, quem garante que não poderiam derrotar os melhores da atualidade?

Jogo após jogo, a expectativa pelo 35º “Fedal” crescia no mundo do tênis. Concretizado, muitas cartas virão à mesa. O domínio do espanhol no confronto geral (23 a 11), em Slams (9 a 2), sobre a quadra dura (9 a 7) e no Aberto da Austrália (3 a 0) é indiscutível.

No entanto faz mais de um ano que os rivais não se enfrentam —Federer venceu o último confronto na final de Basel-2015. Nos últimos três anos, eles estiveram frente a frente apenas duas vezes.

O jogo e o físico de ambos são muito diferentes do que eram da primeira vez que duelaram, em 2004. Nadal conseguirá minar Federer explorando o backhand? Quão efetivo o suíço será no saque e na rede?

Apenas o prólogo da final dos sonhos foi escrito. O restante do livro está aberto e à espera do que os protagonistas da maior rivalidade da história do tênis farão daqui a dois dias.

GRIGOR DIMITROV

Este post poderiam ser dois, porque Grigor Dimitrov, 25, merecia um só para ele. O búlgaro jogou tudo o que sabe —e o que a gente até já tinha esquecido— para sair de duas desvantagens e quase virar uma batalha épica contra Nadal.

Correu muito para se defender e parecia pouco suar, teve seus momentos de “shot-maker” e desfilou a conhecida técnica. Enfim, mostrou que pode fazer um ano muito bom e cumprir as expectativas que o circuito tem sobre ele caso mantenha o embalo. Já temos um candidato a melhor jogo do ano.