Retorno de Sharapova se aproxima e promete ocorrer sob fogo cruzado

Por DANIEL CASTRO

Faltando menos de dois meses para a liberação de Maria Sharapova após sua suspensão de 15 meses por doping, a expectativa pelo retorno da russa cresce acompanhada de polêmica.

Sem pontos para entrar nos torneios pelo ranking, ela já foi convidada para três, Stuttgart, Madri e Roma, que antecedem Roland Garros no calendário da WTA. A pena imposta pelo uso da substância meldonium termina no dia 26 de abril, dois dias após o início do evento alemão.

Esta semana, Andy Murray se posicionou contra os convites: “Eu acho que você deveria realmente trabalhar no seu caminho de volta. Porém a maioria dos torneios fará o que eles pensam ser melhor para o evento deles. Se eles pensam que ter grandes nomes venderá mais ingressos, eles farão isso”, disse ao jornal britânico “The Times”.

Depois foi a vez de o presidente da Federação Francesa de Tênis, Bernard Giudicelli, indicar que seria uma contradição Roland Garros investir cifras milionárias no controle antidoping para depois distribuir convites a atletas que foram pegos com substâncias proibidas.

Está aberta a temporada de reclamações. Até a volta de Sharapova, muito será falado a respeito, com tenistas se posicionando a favor e contra os convites que a russa recebeu e certamente ainda receberá.

É compreensível que uma das esportistas mais populares do mundo divida opiniões. Seguida por milhões nas redes sociais e garota-propaganda de diversas marcas, a russa tem uma legião de fãs dispostos a defendê-la. Há também, como não poderia deixar de ser, os “haters” de plantão, prontos para se incomodar até com os gritos dela em quadra.

Após a própria atleta anunciar que havia sido flagrada com meldonium, em março do ano passado, houve quem disparasse, como a ex-número um do mundo Jennifer Capriati: “Eu tive que perder minha carreira e nunca optei por fazer trapaças, sem importar o que ocorreria. Tive que jogar a toalha e sofrer”.

Serena Williams, por outro lado, elogiou o comportamento da rival: “Ela mostrou muita coragem e coração, ela sempre mostrou isso em tudo que fez e desta vez não é diferente. Ela assumiu a responsabilidade”.

Sob o fogo cruzado de apoios e críticas, o retorno de Sharapova promete desde já mexer com o mundo do tênis.

OPINIÃO

Para este blogueiro, é esperado que a maioria dos torneios convide uma atleta com todo o potencial —esportivo e de imagem— de Sharapova. Trata-se de um dos poucos nomes do circuito com capacidade de vender ingressos sozinho, além de atrair divulgação espontânea na mídia.

Já os Grand Slams podem passar bem sem a russa, pois o status e a saúde financeira deles não dependem do retorno que ela proporcionaria ao evento.

Dá para entender quando tenistas que nunca se beneficiaram de substâncias proibidas reclamam, mas, com o término da suspensão, não há motivos para que ela seja tratada de forma diferenciada.