Nadal faz história como primeiro decacampeão, e tudo indica que fará ainda mais

Por DANIEL CASTRO

Até este domingo (23), o soberbo retorno de Roger Federer ofuscava o bom momento de Rafael Nadal na temporada. Ele já era o segundo melhor tenista do ano com alguma folga, mas a falta de títulos e as três derrotas para o suíço impediam empolgação maior com o tênis do espanhol.

Pronto. O dia de derramar elogios a Nadal chegou. Com a previsível vitória sobre o compatriota Albert Ramos-Vinolas em Monte Carlo (6/1, 6/3 em 76 minutos), o rei do saibro conquistou seu décimo título nesse torneio. Foi a primeira vez que um tenista levantou o mesmo troféu dez vezes na era aberta. De quebra, ele chegou ao 29º título de Masters e ao 70º da carreira.

Nadal terá a chance de triplicar o feito se alcançar a décima conquista em Barcelona e em Roland Garros. Hoje ele tem nove títulos em cada um dos torneios. Além disso, o espanhol tornou-se o grande favorito para a temporada de saibro como um todo.

Federer só deve voltar do período de descanso no Slam francês, e mesmo assim ele ainda não confirmou presença em Paris. Número um do mundo, Andy Murray decepcionou novamente ao cair diante de Ramos-Vinolas. Em que pese a falta de ritmo do britânico e a lentidão da quadra no principado, esperava-se mais.

Novak Djokovic segue como incógnita. O sérvio mostrou evolução e, mais importante no caso dele, atitude positiva em quadra para vencer dois jogos complicados contra Gilles Simon e Pablo Carreño Busta. Depois, perdeu para um David Goffin inspirado. É possível ver o copo meio cheio ou meio vazio antes que os Masters de Madri e Roma iluminem mais as perspectivas para Roland Garros.

Se a campanha de Nadal não chegou a ser brilhante, pelo menos foi segura. O espanhol perdeu set contra Kyle Edmund e poderia ter sido mais exigido por Goffin, que entrou em um buraco para não mais sair após erro grosseiro do árbitro. Contra Alexander Zverev e Vinolas, porém, ele se impôs. Sem contar a primeira rodada, foram apenas 4,5 games perdidos por jogo em média.

Ainda faltam confrontos diretos para a rivalidade do “big four” esquentar. Nadal e Federer não enfrentaram Murray ou Djokovic em 2017. Britânico e sérvio se encontraram só uma vez até agora, em Doha. Esses clássicos, em que o nível técnico cresce e o emocional aflora, podem mudar os rumos da temporada.

A próxima chance de ver um deles será nesta semana, em Barcelona, onde Murray e Nadal estão inscritos. Fica a torcida para que o saibro proporcione vários duelos entre os melhores do mundo, preferencialmente logo.

RAMOS-VINOLAS

Aos 29 anos, o canhoto espanhol conseguiu em Monte Carlo o melhor resultado da carreira e aparecerá no top 20 pela primeira vez nesta segunda (24) após derrotar Murray, Marin Cilic e Lucas Pouille em sequência. Competente no saibro, mas sem grandes diferenciais, tentou o que podia contra Nadal: começou agressivo e errou demais, depois foi um pouco melhor ao prolongar os pontos. Nada que fosse suficiente.

Espero coisas boas dele e de Carreño Busta, 25, nesta temporada de saibro. Se não formam aquela armada espanhola de outrora, podem surpreender aqui e ali. A conferir.