Bia Haddad conta como susto contribuiu para melhor semana da carreira

Por DANIEL CASTRO

A temporada que começou com um susto para Bia Haddad Maia em pouco tempo já se transformou na mais promissora da carreira da tenista de 20 anos.

No fim de 2016, a paulista tropeçou em casa, sofreu uma leve fratura em três vértebras e teve que adiar a sua estreia para fevereiro. Ela, que já passou por cirurgias na coluna e no ombro, sabe da importância de ter regularidade no circuito. Dessa vez, felizmente, não era uma lesão grave.

Este ano, Bia já foi campeã do ITF US$ 25 mil de Clare, na Austrália, triunfou nas duplas no WTA de Bogotá e ganhou uma partida no Premier de Miami. De quebra, enfrentou Venus Williams na segunda rodada e fez uma partida digna (6/4, 6/3 para a americana).

O melhor, contudo, ainda estava por vir. Nesta semana, no WTA de Praga, ela chegou às quartas de final após derrotar duas top 100 (ainda no qualifying), uma top 50 e uma top 20, a experiente australiana Samantha Stosur, de 33 anos. Parou na tcheca Kristyna Pliskova (58ª).

Do 144º lugar no ranking, Bia passará para o grupo das 120 melhores, feito inédito na carreira da paulista.

À Folha ela disse que o período em que esteve parada foi importante para alcançar os bons resultados que vieram na sequência e afirmou que essa foi a melhor semana da sua carreira.

Folha – O que mudou no seu jogo e na sua cabeça neste ano?

Bia Haddad – Este ano eu comecei com um susto e acabei ficando parada por uns dias. Aproveitei para manter bem o físico, aprendi muito a dar mais valor ainda em tudo, treinar cada vez mais com qualidade e aproveitar mais os momentos também.

– O jogo contra a Venus em Miami ou algum outro fez com que sua confiança aumentasse?

O jogo contra a Venus, na verdade, apenas me fez acreditar mais. Nesse nível todas jogam bem, e eu sabia que era um jogo duro também. Claro que são jogos especiais, como esse da Stosur [em Praga], em que eu joguei muito sólida. Você sente que pode cada vez estar melhor e melhor. Mas, independentemente da adversária, tento sempre manter meu padrão.

– A semana em Praga foi a melhor da sua vida?

Esta semana foi muito especial, sim. Foram seis jogos, eu nunca havia jogado seis jogos seguidos em um nível em que todas eram mais bem ranqueadas. Conseguir evoluir a cada partida foi o mais legal. Por enquanto foi a melhor semana que tive, sim. Espero que venham outras!

– Com esse resultado você acredita que a expectativa dos brasileiros sobre seus resultados aumenta?

Eu procuro não pensar nos outros. Jogo buscando cada ponto e fazendo o meu melhor. O que os outros acham ou deixam de achar não muda minha maneira de ser. Fico muito feliz pela força e pela energia que venho recebendo de todos, porque tenho um sonho também de poder um dia ajudar nosso país, as crianças, para sermos cada vez melhores e termos mais jogadores.

– Já traçou metas para os próximos torneios?

Minhas metas seguem as mesmas. Seguir saudável, já que estamos em uma gira longa até Wimbledon. O Paulão [Paulo Roberto Santos, fisioterapeuta] está chegando aqui e é importante cuidar do meu físico e focar sempre minhas rotinas. Tenho feito um trabalho muito legal com a Tennis Route e com o German [Gaich, técnico].

Próximos torneios:

8.mai – ITF US$ 100 mil de Cagnes-Sur-Mer (França)
15.mai – Roma ou ITF US$ 60 mil de Saint-Gaudens (França)
22.mai – Roland Garros (quali)
12.jun – Nottingham
19.jun – Birmingham ou Mallorca
26.jun – Wimbledon (quali)