Americano que perdeu o pai antes de Roland Garros desaba em lágrimas após vitórias

Por DANIEL CASTRO

Dois jogos duros, duas vitórias e muitas lágrimas. A campanha do americano Steve Johnson, número 26 do mundo, em Roland Garros poderia estar restrita ao drama vivido dentro de quadra, mas há outro maior fora dela.

Cerca de duas semanas antes do Grand Slam francês, o tenista de 27 anos perdeu o pai, Steve Johnson Sr., morto aos 58 anos enquanto dormia. Segundo reportagem do “The New York Times”, ele chegou a treinar o filho durante a juventude e foi um técnico respeitado na Califórnia.

Em entrevista após a primeira rodada, quando bateu o japonês Yuichi Sugita, Johnson não conteve o choro. “São muitas emoções. Ele foi uma grande parte da minha vida no tênis”, disse aos jornalistas.

O jogo havia começado no domingo, e o americano logo abriu 2 sets a 0. Na sequência, porém, ele perdeu a terceira parcial no tiebreak e estava atrás na quarta quando a falta de luz natural adiou o complemento do duelo para a segunda-feira. Sugita voltou melhor e empatou (em mais um tiebreak), mas Johnson se recuperou no último set e fechou a partida em 3 a 2.

Nesta quarta (31), o americano superou o promissor croata Borna Coric em um jogo nervoso para ambos (como o vídeo abaixo mostra). Foram mais dois tiebreaks (desta vez com vitórias dele) e uma longa discussão de Johnson com o árbitro após este lhe aplicar punição por supostamente ter rebatido uma bola fora de jogo em direção à arquibancada.

Mesmo diante da alta carga emocional, ele venceu o último desempate por 8 a 6 e se classificou para enfrentar Dominic Thiem, sétimo do ranking, na terceira rodada. O austríaco, favorito pelo menos até as quartas de final, fez dois jogos seguros diante de Bernard Tomic e Simone Bolelli.

Em Paris, Johnson conta com o apoio da mãe, da irmã e da noiva, que o acompanham no torneio. O pai tinha planos de se juntar a eles em Wimbledon, segundo o “The New York Times”.

“Fisicamente, estou ok. Emocionalmente, estou uma bagunça”, ele disse após a sua segunda vitória. “Eu só sei que isso é o que ele sempre me ensinou, a ser um lutador, então é o que eu vou fazer, dia após dia. Essa é a única coisa que posso fazer “.