Marcelo Melo supera início ruim com parceiro para voltar ao número 1

Por DANIEL CASTRO

Há quatro meses, Marcelo Melo vivia um começo de parceria frustrante com Lukasz Kubot. Hoje, a dupla está na final de Wimbledon, e o brasileiro assumirá a liderança do ranking na próxima segunda (17).

A conquista em dose dupla veio após vitória em cinco sets sobre Henri Kontinen e John Peers, cabeças de chave número 1, pela semifinal.

Nos primeiros cinco torneios do ano, Melo e Kubot venceram apenas quatro partidas. O estilo de jogo agressivo do polonês não havia encaixado com o trabalho de rede do mineiro, e a sequência de torneios nos EUA em março poderia significar o fim da recém-formada equipe.

Porém o resultado surpreendeu: um título e um vice nos Masters de Miami e Indian Wells. Esse foi o ponto de virada para a dupla, que assumiu a liderança do ranking da temporada e ganhou mais três competições desde então.

Por terem vencido dois torneios na grama, eles chegaram a Wimbledon como favoritos, mas nem por isso a trajetória até a final teve menos drama. Três dos cinco jogos foram ao quinto set, e em dois deles as parciais passaram de seis.

Como o ranking é baseado nos resultados das últimas 52 semanas, nem todos os pontos de Melo foram conquistados também por Kubot. O polonês, portanto, não estará no topo do ranking ao lado do brasileiro —pelo menos por enquanto.

É uma situação normal na modalidade de duplas, mas, pela evolução da parceria e pela persistência de ambos para superar as dificuldades iniciais, seria recompensador vê-los chegarem lá juntos.

DE NOVO NO ALTO

Marcelo Melo será o melhor duplista do mundo pela terceira vez na carreira. A primeira passagem durou 22 semanas, de novembro de 2015 a abril de 2016. Em maio e junho do ano passado, ele teve um período de liderança mais curto,  quatro semanas.

Desde então, três tenistas ocuparam o posto de número 1: Nicolas Mahut, Jamie Murray e Kontinen.

Aos 33 anos, o brasileiro mostra que ainda pode fazer muito no tênis. A próxima parada será a final, no sábado (15), contra o austríaco Oliver Marach e o croata Mate Pavic, cabeças de chave 16.

O Girafa, apelido do mineiro de 2,03 m, sempre diz que Wimbledon é o seu torneio favorito e que vencer o Slam britânico seria um sonho. Ele já bateu na trave em 2013, quando perdeu para os irmãos Bryan ao lado de Ivan Dodig.

“Hoje foi um grande dia, mas agora é acalmar, aproveitar o dia de amanhã para dar uma tranquilizada e vir com tudo na final”, afirmou. O sonho nunca esteve tão próximo.