Campeã de Wimbledon, Muguruza renova expectativas (e pressões) sobre sua carreira

Por DANIEL CASTRO

“Eu acho que vou me sentir muito melhor agora para continuar o ano, e todos vão parar de me incomodar perguntando sobre este torneio”.

Foi assim que a atual campeã de Wimbledon, Garbiñe Muguruza, 23, reagiu após ser eliminada de Roland Garros, há pouco mais de um mês. Ela defendia o título, mas parou nas oitavas de final.

Com a derrota, a espanhola nascida na Venezuela finalmente se livrava da pressão que a incomodou por um ano. Nesse período, ela não chegou a nenhuma final e caiu da vice-liderança do ranking para o 15º lugar —voltará à quinta posição na segunda (17).

Assim, quando estreou em Wimbledon, Muguruza não estava entre as favoritas. Porém não demorou a jogar como uma delas. Nos sete jogos, perdeu apenas um set, para a número um do mundo, Angelique Kerber.

O pneu aplicado em Venus Williams no segundo set da final foi a melhor forma de encerrar uma campanha onde foi dominadora, vibrante e inteligente.

O ótimo trabalho de fundo de quadra apresentado pela espanhola não chega a ser novidade, mas a estabilidade para jogar ponto por ponto, sem se perder nos momentos de pressão, surpreendeu.

Vencer um Slam na grama e outro no saibro, ambos contra as irmãs Williams, mostra que o lugar de Muguruza é entre as grandes. Agora, ela terá mais uma chance para aprender a lidar com as altas expectativas e mostrar que é mais do que uma grande jogadora de Slams (alô, Wawrinka).

Após a final, a tenista disse que o trabalho de Conchita Martínez, que a acompanhou durante Wimbledon como uma “supertécnica” —seu treinador regular, Sam Sumyk, se ausentou porque estava prestes a ser pai—, fez diferença.

A compatriota, vencedora de Wimbledon em 1994 como jogadora, teria passado confiança e ajudado a lidar com o estresse de um torneio longo. Se as lições da mentora durarem, Muguruza voltará a fazer estragos.

Conchita Martínez acompanha a final de Wimbledon (Glyn Kirk/AFP)