Sem linha de chegada, Federer torna sua carreira ainda mais brilhante

Por DANIEL CASTRO

Até onde vai Roger Federer? A pergunta não é inédita, mas precisa ser feita novamente após seu 19º título de Grand Slam, o oitavo em Wimbledon, neste domingo (16).

Felizmente não há uma resposta na ponta da língua. O troféu em Londres, que isolou o suíço como maior vencedor do torneio entre os homens, era o objetivo principal —ainda assim visto com cautela— no início do ano, quando ele voltava após seis meses afastado por conta de lesão no joelho.

Federer antecipou as metas e venceu logo de cara o Aberto da Austrália. Depois, os Masters de Indian Wells e Miami. Nesses torneios, derrotou Rafael Nadal, seu maior adversário, três vezes. O nível apresentado em quadra surpreendia o circuito.

A prudência, porém, disse que era hora de descansar e se preparar para brilhar no seu piso favorito, a grama. Aos 35 anos, ele se permitiu nem pisar na quadra de saibro, superfície que sempre lhe trouxe mais dificuldades, e parou por mais de dois meses.

A estratégia se mostrou acertada, e a joia da coroa veio na quadra central do All England Club, cenário de suas maiores façanhas.

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Em 2012, quando o suíço vencera seu último Slam até este ano, já não faltava nenhum dos principais feitos do tênis para ele. Agora, Federer ampliou a diferença de títulos para os rivais (Nadal tem 15 e Pete Sampras, 14) e ainda protagonizou um dos maiores retornos da história do esporte.

As possibilidades para o segundo semestre são animadoras. Em terceiro no ranking com 6.545 pontos e nada pela frente para defender, voltar ao topo é uma meta possível. Acima dele estão Andy Murray (7.750), que defende mais de 5.000 pontos até novembro, e Rafael Nadal (7.465), provavelmente seu maior adversário pela liderança. Na corrida da temporada, o espanhol supera o suíço por pouco (7.095 contra 6.545).

Uma eventual disputa dependerá de quantos torneios os tenistas estarão dispostos a jogar. Independentemente disso, há outros feitos grandiosos à espera do suíço. Vencer seu primeiro Aberto dos EUA desde 2008 e três Slams numa mesma temporada, algo que não acontece desde 2007, é um deles.

A maior vantagem de Federer hoje é que não há uma linha de chegada definida na sua carreira. Enquanto tiver condições físicas, prazer e sua família concordar, ele estará em ação. A aposentadoria pode vir amanhã, no fim do ano ou daqui a duas temporadas. Não importa. Aos fãs, cabe o deleite.

Mirka Federer (à dir.), mulher do suíço, e os quatro filhos do casal assistem à premiação (Daniel Leal-Olivas/Reuters)