Hoje sou um número 1 mais experiente e respeitado, afirma Marcelo Melo

Por DANIEL CASTRO

Conquistar um Grand Slam e ser número um do mundo não são fatos novos na carreira de Marcelo Melo, 33. O atual campeão de Wimbledon vencera Roland Garros há dois anos e já havia liderado o ranking em outras duas oportunidades.

A primeira vez que o mineiro chegou ao topo foi em novembro de 2015. Ele permaneceu lá durante 22 semanas, até abril de 2016. No mês seguinte, Melo retomou a primeira posição para um reinado mais curto, de quatro semanas.

Se antes ele formava time com o croata Ivan Dodig, agora joga ao lado do polonês Lukasz Kubot. Porém não foi apenas o parceiro que mudou. O experiente tenista, que há mais de dez anos se dedica exclusivamente às duplas, hoje se considera um atleta melhor em comparação à primeira vez que liderou a lista.

“Com certeza estou muito mais experiente hoje em dia do que em 2015. Tive vários resultados importantes no caminho, e isso tudo conta na bagagem, tornando o jogador mais experiente, sólido e respeitado”, afirma Melo à Folha.

O brasileiro destaca aspectos técnicos e psicológicos da sua evolução. “Melhorei muito meu saque, e isso vem ajudando muito. Sempre procurei ficar tranquilo nos momentos importantes, e acho que o lado mental também evoluiu demais”, diz.

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Saber lidar com momentos tensos foi crucial para chegar ao título de Wimbledon, no sábado (15), a primeira conquista do país no torneio em 51 anos.

A partida contra o austríaco Oliver Marach e o croata Mate Pavic teve quatro horas e 39 minutos de duração. Quando o quinto set estava empatado em 11 a 11 e a luz natural já não dava conta da iluminação, foi feita uma pausa para fechar o teto da quadra central.

Depois de dez minutos de paralisação, Melo e Kubot finalmente ganharam dois games seguidos e finalizaram o jogo em 13 a 11. O brasileiro conta que, à espera do fechamento da cobertura, ele e o parceiro evitaram papos mais longos.

“Fomos para uma sala atrás da quadra central. A gente conversou um pouco, mas cada um tentou manter o seu foco. Procurei ficar pulando para manter o corpo aquecido, porque sabia que voltaria sacando”.

Após o ponto decisivo, o silêncio se transformou em euforia. “Acho que falei Wimbledon umas 50 vezes, o Lukasz também”, relembra Melo, que se atirou na grama para comemorar.

Com o maior sonho da carreira realizado, o mineiro voltou ao Brasil nesta semana. No segundo semestre, os principais objetivos da dupla são o Aberto dos EUA, no fim de agosto, e o ATP Finals, torneio que reúne as oito melhores parcerias do ano e fecha a temporada, em novembro.