Boris Becker chega aos 50 anos com falência decretada e ainda falastrão

Por DANIEL E. DE CASTRO

O ex-tenista Boris Becker, que completa 50 anos nesta quarta (22), deu nome a um dos grupos do ATP Finals, na última semana, e entrou em quadra com o troféu que seria dada ao campeão, Grigor Dimitrov, na cerimônia de premiação. Foram momentos de pompa após uma maré negativa vivida pelo ex-número 1 do mundo.

Em junho, ele teve a falência decretada por uma corte britânica, que o considerou incapaz de pagar uma dívida de valor não revelado com o banco Arbuthnot Latham. O alemão pediu mais tempo para quitar o débito, mas não teve a apelação aceita.

No mês seguinte, Hans-Dieter Cleven, ex-sócio de Becker, cobrou na Justiça uma suposta dívida de 36,5 milhões de euros, negada de forma veemente pelo ex-atleta.

“É uma loucura pensar que estou falido”, disse no início do mês ao jornal suíço “Neue Zürcher Zeitung”. “Eu vou a Zurique nesta noite, vou entrar em um hotel e pagar minha própria conta. Se eu fosse insolvente, não poderia fazer isso. Se eu pegar um táxi, pagarei por isso. E acredite, não roubei nada”, completou.

Becker, que faturou cerca de US$ 25 milhões em premiação na carreira, atribui as cobranças ao que considera oportunismo. “Meu nome e minha marca são mais atuais do que há 20 anos. Se você está procurando publicidade, você contrata Boris Becker. Atenção garantida”, afirmou na mesma entrevista.

Campeão de Wimbledon pela primeira vez em 1985, aos 17 anos, Becker totaliza seis títulos de Grand Slam e está entre os maiores jogadores da história. Considerado um fenômeno pelo saque potente e pela habilidade junto à rede, ele ainda é o maior nome do tênis masculino da Alemanha.

Como treinador, teve uma parceria bem sucedida com Novak Djokovic de 2014 a 2016. Nesse período, o sérvio conquistou seis troféus de Slam. O trabalho terminou há um ano, e desde então Becker tem atuado como comentarista de tênis na TV.

A vida dele fora das quadras teve vários momentos tumultuados nas últimas décadas. Em 2013, o alemão reconheceu ter tido uma filha em uma relação extraconjugal enquanto era casado com a designer e atriz Barbara Feltus. Ele negou a paternidade durante muito tempo. “Fui um babaca”, admitiu em biografia.

Becker e Feltus, que posaram nus para a revista alemã “Stern” no início dos anos 1990, travaram uma batalha pública durante o divórcio, cerca de dez anos depois.

O ex-tenista também já se aventurou como jogador de poker e tornou-se garoto-propaganda de empresas do ramo.

“O nome Boris Becker é quente”, ele disse ao “Neue Zürcher Zeitung”. Fica difícil discordar.